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domingo, 7 de setembro de 2008

Fotografia - imagens com chuva 1

Registos de Outubro de 2006.




A chuva sempre me atraiu. Aliás, a água atrai-me.
Houve uma altura da minha vida em que a chuva me chamava, sempre que a chuva batia na janela, ouvia-a, não resistia e ia ter com ela para a rua.
Não uso guarda-chuva. Não gosto. Atrapalha-me. Não sei lá muito bem o que hei-de fazer com aquele objecto estranho.
Um dia comecei a reparar que a chuva nos vidros dá outros contornos aos objectos que estão do outro lado das janelas, e que, sobretudo nos dá outra dimensão, outra imagem deles. apresenta-nos nesses mesmos objectos, outro tipo de atractivos.
Passei a registar também momentos deste género.
Inicialmente, era o que surgia. Depois passei a ir mesmo à procura de imagens, de motivos, experimentando, com várias intensidades de chuva, limpo o vidro do carro, deixo pousar a chuva e vou observando e registando... Nas janelas de casa, noutros locais...
a chuva ainda me chama e ainda vou ter com ela para a rua, muitas vezes. Outras, fico dentro do carro ou dentro de casa à janela e converso com ela na mesma.

impressões

Registos de 2006 e 2007.





"Com janelas assim, quem precisa de ver televisão?", "com um céu assim, quem precisa de televisões?" ou seja, com um mundo tão recheado, quem precisa que lhe digam "é assim que se olha!"?
Basta abrir os olhos, rodar a cabeça , deixar que algo prenda o olhar e depois, deixar acontecer...
e ir fazendo isso por aí...
Por tudo quanto é lado há bocadinhos de realidade cheios de coisas por dizer.

Fotografia e comentário - sobreposições 1

Sobreposições da realidade
ou
mistura de realidades

Interseccionismo pessoano (?)

Outro dos temas que me assalta a atenção é o das sobreposições da realidade, sobretudo urbana. Na natureza as sobreposições de realidades, com esta evidencia, é muito mais simples. Até agora tenho-a explorado sobretudo na vertente dos reflexos na água.
Não me interessam, pelo menos de momento, as manipulações de imagem a este nível. O que exploro no photoshop são outras coisas.
Interessam-me as sobreposições, mas as da realidade que nos circunda, as que estão por aí, à solta, paletes delas, por tudo quanto é canto de cidade...

As montras são uma fonte inesgotável de cenários de realidades misturadas. Nas próximas três fotos, insiro-me na imagem.
Assim compreende-se melhor do que falo.





A mesma montra é fonte de diversos tipos de cenários, conforme nos posicionamos e apontamos a camara.




Sobretudo quando encontramos uma montra grande num local movimentado, que é o caso da desta loja de mobílias, mesmo rente a uma estrada onde os carros estão sempre a passar.




Os cenários estão sempre a alterar-se porque o próprio fluir do transito traz novas tonalidades e enquadramentos às imagens que começam a transformar-se diante do nosso olhar.






Quando nos cansamos de explorar uma zona, basta movimentarmo-nos um nadinha e surgem de imediato novos polos de interesse.

Aqui o que pretendo mostrar é a exploração do olhar.
Isto, no fundo, não passa de um exercício de observação, de observação do real que nos circunda, para além do que é habitual observar.
É aqui que digo que não precisamos de televisão. De televisão no sentido esteriotipado da mesma. No sentido, no fundo, do modo como vulgarmente é usada, a televisão e outros orgãos de comunicação, no sentido de "encarneirar" o modo de olhar.
Trocas de experiencias e de posicionamentos perante a realidade devem, em meu entender, ser sempre bem-vindas. Partilhar experiencias é sempre enriquecedor. Mas para as partilhar é preciso tê-las, é preciso vivenciar, experienciar, sentir na pele, expor-se à acção que a aprendizagem do mundo implica.

É muito importante que cada um se posicione, no instante em que se encontra, e se vivencie.
É só isto!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Fotografia e comentários- Dialéctica no Céu

O céu é um imenso enigma para mim.
As nuvens na sua mutação constante, cheias de enredos de contos de fadas e fados, no modo como se desfazem e se refazem, e se voltam a desfazer, sempre a caminho, sempre voando, deixando em diversos fundos de azul, brancos, cinzentos... mensagens e estímulos para o imaginário.

Houve uma altura que esta minha atracção pelo ecran gigante que é o céu começou a tornar-se perigoso: conduzir com os olhos presos no céu não tem graça nenhuma!? Comecei a parar para olhar. Mas depois ficava ali, feita tola, boquiaberta em frente às nuvens sem dar pelo tempo passar e começou a criar-me problemas com os meus afazeres. Agora tiro mesmo tempo para me deixar estar, só a olhar para os episódios do céu.


Mas, o céu é outro pólo de interesse bastante recheado.
E ainda por cima basta puxar o zoom para termos logo outra imagem:




E depois, basta esperar um bocadinho e tudo muda de figura, muitas vezes, até os papéis se invertem, né?





E depois são estas coisas que me fazem apetecer conversar com Heraclito, com Parménides (para contrabalançar, para equilibrar, para completar...) e com Zenão.

Não tenho tempo para ir agora vasculhar nos livros a esse respeito mas dou comigo a desfolhar conceitos, perspectivas, noções, que também são deles e me estão gravadas no ser.

Bem, quando se tem um céu assim, para quê matar os olhos (encharcar, moldar, viciar... o órgão da visão e do olhar) com televisões?

Fotografia e impressões - As minhas janelas na Quinta da Sinagoga

O que pretendo mostrar neste blog não são obras-primas. Pretendo muito mais mostrar um olhar através de percursos feitos.

Passo a vida a reencaminhar e a reorganizar o olhar. E por isso também a reestruturar a curiosidade.
Isto acontece-me devido ao fascínio que o mundo circundante me provoca.
Ainda por cima, cada vez que o olhar volta a pousar num mesmo objecto, encontra nele pequenos elementos novos que, por sua vez, alteram também a forma de conceber todo.

Gosto de olhar, de olhar e compreender as estruturas, as nuances, os encontros e desencontros das linhas, o namoro ou guerreia das formas, as formas que surgem da conjugação de objectos… e de sentir que apreendo, pela compreensão dos porquês dessas formas, das razões das tonalidades… gosto de me sentir cada vez mais perto do objecto que me cativa a atenção e que depois me impõe o espraiar do olhar.

Faço muitos registos de coisas diferentes porque todas elas me despertam curiosidade, e depois, porque as coisas todas diferentes acabam por ter muitas coisas semelhantes. Todas têm forma, todas têm cor, todas têm um posicionamento em relação às outras coisas, sejam as outras coisas similares ou completamente diferentes.
E começa uma roda-viva de jogos de olhar que nunca mais tem fim.
As coisas mudam permanentemente sem deixarem de ser as mesmas coisas. Tal como nós.
As horas dos dias têm intensidades diferentes de luz. A luz move-se e chega-nos de pontos diferentes causando alterações na nossa percepção das suas formas e por isso permitem-nos criar diferentes ideias, diferentes concepções do mesmo objecto.
Para além das horas dos dias, as mesmas horas de dias diferentes apresentam intensidades diferentes na luz que nos oferece. As estações do ano, os dias cinzentos de verão e os dias de sol de inverno... A chuva, a tristeza dos dias cheios de nuvens. Altera o estado de espírito das coisas porque altera a nossa forma de olharmos para elas.

O mundo desvela-se permanentemente, sempre diferente, sempre igual... e nunca se deixa agarrar. Mas permite-me ir atrás do seu movimento permanente e continuado de eterna manifestação da Criação e assim permite-me repensar-me continuamente, conforme vou revendo o sempre visto e nele encontrando sempre elementos novos.
É por isso que às vezes me aborrece a ideia de viajar.
Ir à procura do quê? De ver o quê?
Eu não dou cabo do que tenho para ver aqui!?
Para desenjoar... pois!?... Mas é meu costume encontrar noutros lados exactamente o mesmo que tenho aqui.
E eu cá, gosto disto, mas é que gosto mesmo muito disto!

O que apresento aqui hoje são alguns dos imensos momentos que registei das janelas da Quinta da Sinagoga, onde vivi bons e maus momentos, como se vive em todo o lado, mas de onde guardo, até dentro da maneira de me ser, imensos instantes de magia que lá vivi.

As janelas são uma das fontes de momentos desses. Onde o vento, a chuva, o sol, a posição das cortinas... tornam sempre tão diferente aquilo que parece ser sempre igual.


Instantes estéticos, de companhia branda com sonoridades cheias de folhas que dançam ao sabor do falajar de bicharocos, meus vizinhos, coabitantes do meu universo quotidiano.
E as formas expressam-se, consoante a luz, a temperatura... o instante. Têm rosto, têm fala:



Uma suavidade e algo que não sei explicar por palavras, mas talvez esta série de imagens do mesmo instante, consiga exprimir ou despertar.




O movimento gerado pelo vento e a forma como as cortinas se assumem e se aconchegam, o igual que se mostra diferente a cada instante.
E, conforme a luz cria arte através dos contornos dos objectos... aparecem-me personagens:


Que me contam estórias:


Quem tem janelas assim (fora o resto), para que precisa de televisão?
Não quero ficar agarrada a um ecran plano.
O meu ecran não é plano, é pleno.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Fotografia e comentários- sombras 1

O real e as sombras




Um tema que me aconteceu foi as sombras.



Aconteceu-me, há muito tempo, há anos atrás, dar-me conta que as sombras estão sempre onde nós estamos porque a luz existe, bate em nós e recorta-nos, desenha-nos nas telas sempre expostas da realidade.



Comecei a reparar nas formas que as sombras assumem e percebi que elas falam, que elas dizem muito de nós e que posso usar a minha sombra para me exprimir.
Para dizer coisas que me passam pela alma.






E dei comigo a registá-las,


depois, dei comigo a olhar para os meus registos e a completá-las para que exprimam mais claramente emoções e sentimentos.



Aqui apresento algumas sombras que foram registadas recentemente na praia. Estas são sombras na areia. Tenho séries de sombras na água do mar, algumas delas são sombras sobre as ondas, tal como a fotografia que apresento no meu perfil.





Estas imagens apresentam várias formas de explorar o mesmo espaço e ambiente pois todas as que aqui agora apresento, foram registadas no mesmo local e trabalhadas com uma técnica muito semelhante.


A partir de certa altura comecei a criar as sombras,


a combiná-las com o ambiente onde elas se pousam, com os elementos desse real onde me situo no instante.


Depois comecei também a procurar locais específicos onde certos elementos se encontram, e a dar outra vida às sombras através dos meus gestos,

no sentido de poder expressar o que pretendo,

já com uma ideia sobre a técnica com que as vou trabalhar em casa.

No computador, faço ainda diversas experimentações no sentido de aproximar a imagem final, o máximo possivel, daquilo que quero exprimir.






Aqui está outro caminho que nos últimos tempos, em paralelo com os reflexos na água - no fundo são sombras também,


me inquieta,


me perturba,


e me conduz a uma série de aventuras.


terça-feira, 26 de agosto de 2008

Fotografia - Reflexos que contam estórias (Vinda do Mar - Santa Luzia)

Vinda do Mar
Conjunto de fotos que contam a entrada dos pescadores em casa vindos do mar, juntamente com Santa Luzia.
Na realidade Santa Luzia não veio pelo mar, do mar, veio por terra, no entanto ela está no nome da vila e também nas práticas dos pescadores que enformam a vila.
Há uma mistura da santa padroeira que dá o nome à vila e os pescadores nas suas lides para a sobrevivencia.









Estas fotos foram oferecidas à Junta de Freguesia de Santa Luzia aquando da exposição colectiva (com Lena e Jorge Côrte-Real e Amália Viegas) que organizei, e da qual participei, em Agosto de 2007, no Salão da Junta, sob o tema Santa Luzia.



Fotografia - paisagens viradas a sépia - busca da intemporalidade

Paisagens da Praia do Barril viradas a sépia.


Fotos tiradas em 2006 e 2007.
Paisagem é um tema que há muito me chama a atenção. A natureza é tão bela que não me canso de me extasiar com ela e de a tentar guardar dentro da alma, manter acesa a prova da sua majestade e beleza.
Um local onde não me canso de estar a sentir e a olhar é toda a língua de areia que dá colo à Ria Formosa na zona de Tavira. Pela sua fácil acessibilidade, a Praia do Barril é um dos meus locais que visito com mais frequência.
Começou a nascer em mim a noção de intemporalidade na minha observação da paisagem.
Comecei a tentar evidenciá-la nos momentos que registava e cheguei ao tom sépia.
As fotos que se seguem mostram a paisagem que já não consegue passar sem ter a marca do humano.



A foto que se segue acontece-me numa busca de tentar ver o que é o tempo.
Entendê-lo é tarefa que ao longo da história muitos tentaram e parece-me que no fundo ninguém conseguiu, mas,

senti-lo...

já que vivo dentro dele

percebê-lo no sentido sobretudo da percepção.

O passado, para onde vai o presente mas de onde já vem tudo o que está à vista...

A vivência do mar com a naturalidade de quem está em casa.
As marcas que ficam no mundo natural, integrando-o, sendo, no entanto, mais uma marca da existência do homem com história.
O objecto que ganha vida própria e marcas do percurso da vida dentro dele,
tornando-o expressivo,
animal.

Os barcos,
a lida da vida de quem aconteceu junto ao mar e com ele é obrigado a partilhar o desenrolar do seu dia a dia.



Sobrevivência em forma de desporto,
e o lazer
a partir da fauna marinha



A contemplação partilhada



A integração no saborear de um passeio à beira-mar.







O recanto de paz que se abre



quando as cercas se rebentam no voo
E, eis a magia que renasce inteira
e aberta
a quem a queira saborear.