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domingo, 31 de agosto de 2008

jornalismo - momentos marcantes - Marenostrum nos Artistas em Faro

in Postal do Algarve - Abril de 2007
Marenostrum encheram os Artistas de ritmo e alegria.
Zé Francisco Vieira

Sons Árabes e Algarvios marcados por ritmos célticos.

Os Marenostrum encheram de ritmo e alegria a sala de espectáculos dos Artistas (Sociedade Recreativa Artística Farense) no passado sábado. As misturas de sons Árabes e Algarvios fortemente marcados por ritmos célticos, todos interpenetrados de modo original e melódico, contagiaram o público que de rostos acesos de sorrisos tinha dificuldade em manter-se sentado. As melodias mais brandas, de sabor africano, atenuavam o frenesim, mantendo-nos embalados e presos ao fluir dos instrumentos e da voz do vocalista. Este, contava histórias simples e engraçadas, cheias das palavras típicas daqueles que por aqui sempre viveram amando o mar. No fim foi mais uma e mais uma e mais uma… música, até que já não se podia fazer “barulho” e os Marenostrum, com muita pena nossa, foram obrigados a parar.
No sábado assistimos ao “ primeiro de muitos concertos que vamos dar agora.” anunciou Zé Francisco ao POSTAL DO ALGARVE.
Esta banda acontece, como Marenostrum, em 1994, ainda com o Sérgio Mestre. “Uma das pessoas que contribuiu bastante na primeira parte do projecto” afirma Zé Francisco, o vocalista que toca também viola, guitarra e bandolim, “não sendo ele o autor das músicas, ajudava-nos sempre a cozinhar a coisa. Ele estava sempre por perto e participou no nosso segundo CD.” Continuou.
Oriundos do sotavento Algarvio, arredores de Tavira, têm como base para a composição dos seus temas, a música popular da nossa zona (o corridinho e o baile mandado) mas depois soltam-se atrás do vento e o resultado tem sabor a diversas paragens. A composição da música é sobretudo de Paulo Machado (baixo e acordeão) mas depois todos ajudam “ao cozinhado”. O mesmo se passa com os textos, normalmente da autoria do Zé Francisco. Estes falam-nos das vivências do dia a dia de quem vive o mar, de quem o ama e gosta de o contemplar. Fazem um trabalho verdadeiramente de equipa onde as coisas têm que se conjugar e adaptar ao sentir de todos. O núcleo do projecto desta banda é constituído pelo José Francisco Vieira, Paulo Machado e Janáca (João Francisco Vieira) - bateria e percussão. Neste momento a banda conta também com Emanuel Marçal no acordeão e Lino Vidal nos saxofones.
Já deram a conhecer o seu trabalho um pouco por todo o país podendo destacar-se as actuações no I Concurso de Música Folk “Arribas Folk” de Sendim em Miranda do Douro do qual foram vencedores (2003), o IV Festival Intercéltico de Sendim (2004) e o Festival de Loulé (2006) onde partilharam o palco com a Orquestre National des Barbes. Também já foram ouvidos em vários pontos do mundo: Festival de Jazz de Linchopin na Suécia, na Índia, e um pouco por toda a Espanha. Venceram o VI concurso de Música Folk Cuatro de los Vales em Navelgas nas Astúrias em 2005. Almadrava, o seu segundo CD, foi eleito pela revista Folk Roots (Inglaterra) para a sua play list da edição de Março de 2006. Aguarda-se o lançamento de novo álbum para Setembro do corrente ano.


Texto e foto de Paula Ferro

sábado, 30 de agosto de 2008

jornalismo- momentos marcantes - JP Simões no CAPA

in Postal do Algarve - Abril de 2007


JP Simões aquece emoções



Voz lusa embalada por samba e bossa-nova

O CAPA (Centro de Artes Performativas do Algarve) ofertou-nos mais duas noites de espectáculo inesquecíveis na sexta-feira e sábado passados. JP Simões apresentou o seu álbum “1970” seguido de uma conversa informal no primeiro andar onde nos aguardava a exposição de trabalhos inéditos de Paulo Serra. A conversa informal foi todo o concerto onde JP Simões, excelente comunicador, numa forma espontânea e tranquila, com um incrível sentido de humor, nos mantinha agarrados e misturados com o fluir do espectáculo. Um Chico Buarque embebido de José Mário Branco, estranhamente familiar, de figura quase singela, assim, como que abandonado e entregue ao devir, o artista despia a alma no entre-desfolhar das canções e ia-nos dando a conhecer a sua personalidade marcante e única.
JP Simões nasceu em Coimbra em 1970. Com cinco anos emigrou para o Brasil. De volta a Portugal estudou Jornalismo, Direito da Comunicação, escrita de Argumento, Saxofone e Língua Árabe.
“Agora sou músico semi-profissional. Umas vezes tenho trabalho, outras não tenho.” Explica JP Simões ao POSTAL DO ALGARVE. “Tenho três ou quatro outros ofícios. Faço uma série de coisas, de improviso essencialmente. Música para filmes, argumentos… Agora estou a trabalhar na Rádio Europa em Lisboa. Sei lá, eu sou um trabalhador liberal que faz música. É só isso!” A sua música tem sabor a samba misturado com as realidades lusas. Fortemente marcado por Chico Buarque de Hollanda, refere personalidades como Tom Jobim, Charlie Parker, David Bowie, Tom Waits, Astor Piazzolla entre outros. A música, de uma maneira mais ou menos efectiva foi-o rondando ao longo da vida. Em criança teve aulas de guitarra. Em adolescente, em Coimbra, tinha uns amigos, “músicos de garagem” que o convidaram para cantar ou tocar guitarra numa banda que se chamava os “Proletários da Cidade” mas fazer “música propriamente dita, tocada para os outros, com agrupamentos e essas coisas todas, faço há quinze anos, para aí” sobretudo com os Pop dell’Arte, Belle Chase Hotel e Quinteto Tati.
Escreveu contos, letras de canções, argumentos para cinema e participou como músico e actor em filmes de Fernando Vendrell, Edgar Pêra e outros. Entretanto assinou algumas bandas sonoras para documentários e no teatro escreveu o libreto da “Ópera do Falhado”, partilhando a invenção musical com o compositor Sérgio Costa. Como jornalista foi colaborador da Capital, trabalhou em algumas revistas, escreveu para a Egoísta e para revistas de arquitectura. A formação de jornalista deu-lhe noções para perceber melhor a realidade informativa. Tenta ser claro e preciso naquilo que escreve mas acha que não escreve como um jornalista. Em 2006, preparou um espectáculo intitulado de "Canções do jovem cão" e anunciou o lançamento da sua carreira a solo, através de um disco em nome individual, com o título de "1970" e que foi editado no início de 2007. E… “Por favor não me falem do futuro, acabei de chegar!”
Paulo Serra artista essencialmente autodidacta que trabalha exaustivamente, bem conhecido da nossa praça e em muitos outros lugares, apresentou nesses dois dias os seus últimos trabalhos de desenho profundamente marcados pela força do vermelho com o título “O Maricas”. O artista afirma que “Os quadros são surdos-mudos. Quem está presente é a força e a energia.”
O CAPA não se fica por aqui, já nos promete novas emoções com as “Finka-Pé” um grupo de 20 mulheres Cabo-verdianas que misturam a música e a dança em gestos de improviso o que torna cada espectáculo num momento verdadeiramente único. Vai acontecer no dia 19 de Maio.

Texto e foto de Paula Ferro

jornalismo - momentos marcantes - Viviane em Tavira

in Postal do Algarve - Maio de 2007
Espectáculo de Viviane em Tavira

A artista sente que um caminho está de novo a começar.

O Cine-Teatro António Pinheiro, repleto de público, recebeu Viviane no passado sábado. A leveza da sua voz quente foi enchendo a sala, aconchegando os corações dos tavirenses que há muito esperavam ouvi-la, ao vivo, na terra onde ela sempre foi querida e desejada. Os aplausos iam aumentando a cada canção, como se todos nós fossemos embalados pelos encantos daquela voz sedutoramente hipnótica transmitindo imagens simples e fortes de quotidianos que a todos nós nos tocam. Esta Viviane, mais madura e a solo, vem cumprir as promessas que acalentámos nos anos 80 quando a ouvíamos, ainda quase menina, já com a voz misturada aos acordes da viola do Tó Viegas, sempre cantando, pelas esquinas da vida.
Começou a ser conhecida pelo grande público em 1990 quando os “Entre Aspas” ganham o terceiro lugar no concurso de música moderna da Câmara Municipal de Lisboa e assinam um contrato com a multinacional BMG. Em 93 a voz de Viviane tornou-se um lugar comum com “Voltas” e “A criatura da noite”. A partir de 95 “O Perfume” de Viviane andava no ar enchendo os ambientes. Destaques de trabalhos que marcam a música pop portuguesa. Outros trabalhos se seguiram. Na viragem do século tinham regressado ao formato acústico, sempre trabalhando aqui e ali, em colaboração com outros artistas de tendências várias. Em 2005 o grupo “Entre Aspas “ extingue-se e Viviane inicia uma carreira a solo, sempre em parceria com Tó Viegas. Nestes dois últimos trabalhos “Amores Imperfeitos” e “Viviane” há um aproveitamento mais assumido da diversidade e adaptabilidade da sua voz .
De Viviane, já todos conhecemos a marca pessoal que coloca em tudo aquilo que faz por muito dispares que os trabalhos sejam. Temas diferentes, adaptações diversas a outros níveis e embalos do som, fizeram com que obtivesse um conhecimento mais pleno das suas capacidades e, com a sua honestidade e descontracção costumeiras, tivesse descoberto o caminho mais próximo e mais adequado para o uso das suas potencialidades como cantora e como música e para manter a sua originalidade.
A atitude simples e descontraída com que assume todos os papéis que lhe são colocados diante do próximo passo. A mulher que se entrega, sempre a mesma, perante a multiplicidade. E…Viviane não se perde, mesmo quando canta, conduzindo-nos a emoções tenras… que nos transportam … no seu… “A vida não chega”... Nem quando se transforma na mulher outra, a valente que se abre numa faceta diferente da sua feminilidade, o seu “tanguear” com momentos de voz que nos revelam a sua “latinidade” misturada e em gestos onde a catraia e a mulher consciente se misturam numa expressividade peculiar e única que a definem a ela e só a ela mesmo, Viviane, quando nos canta “Coração despido”. Nem quando assume a lusitana que também percorreu a noite lisboeta e assimilou uma vertente da tradição conduzida para outras formas de vivenciar, uma interpretação da sensação do fado, em “Amores Imperfeitos” ou em “Meu Coração Abandonado” e aí a temos de novo, ela mesma. Muito diferente da Viviane que nos encantou nos anos 90 com “Voltas”, e que, agaiatada menina nos cantava “…uma flor, uma pequena flor, que eu colhi, a pensar em ti…” mas ela continua a ser a mesma na sua autenticidade. Agora, mulher poema que mistura a vida com a balada, chegou a um patamar da sua maturidade e sente que um caminho está de novo a começar.
Neste espectáculo com que Viviane e os músicos que a acompanharam, Chico Santos no contrabaixo, Helena Mendes no acordeão, Rui Freire na bateria e Tó Viegas na viola e na guitarra portuguesa, nos ofertaram em Tavira podemos ser embalados por temas destes dois últimos álbuns como “Coração Abandonado”, “A vida não chega”, “Estes dias sem ti” entre outros e temas que fazem parte de outros trabalhos como “Formiga Bossa Nova” e “Alma Danada”.
No final Viviane agradeceu a todos os presentes, mostrando que vir a Tavira é para ela sempre especial e agradeceu à Câmara Municipal de Tavira, na pessoa de Macário Correia que estava presente, pelo apoio dado para que este espectáculo pudesse acontecer e por apoiar a música portuguesa.
Por muitos e diversos motivos, estou muito emocionada hoje”, conta Viviane ao POSTAL DO ALGARVE, “a nível pessoal foi um bocado estranho mas foi muito bom ter conseguido pisar este palco e ter conseguido dar o meu melhor às pessoas. Dei o meu melhor. Hoje de manhã não acreditava que ia estar aqui. Já tomei injecções de penicilina porque estou com uma amigdalite.”
E… ao virar costas, salta-me do ouvido do coração a voz de Viviane : … “tenho tanto por dizer…tanto por te contar… que a vida não chega…
Paula Ferro