sábado, 30 de agosto de 2008

jornalismo- momentos marcantes - JP Simões no CAPA

in Postal do Algarve - Abril de 2007


JP Simões aquece emoções



Voz lusa embalada por samba e bossa-nova

O CAPA (Centro de Artes Performativas do Algarve) ofertou-nos mais duas noites de espectáculo inesquecíveis na sexta-feira e sábado passados. JP Simões apresentou o seu álbum “1970” seguido de uma conversa informal no primeiro andar onde nos aguardava a exposição de trabalhos inéditos de Paulo Serra. A conversa informal foi todo o concerto onde JP Simões, excelente comunicador, numa forma espontânea e tranquila, com um incrível sentido de humor, nos mantinha agarrados e misturados com o fluir do espectáculo. Um Chico Buarque embebido de José Mário Branco, estranhamente familiar, de figura quase singela, assim, como que abandonado e entregue ao devir, o artista despia a alma no entre-desfolhar das canções e ia-nos dando a conhecer a sua personalidade marcante e única.
JP Simões nasceu em Coimbra em 1970. Com cinco anos emigrou para o Brasil. De volta a Portugal estudou Jornalismo, Direito da Comunicação, escrita de Argumento, Saxofone e Língua Árabe.
“Agora sou músico semi-profissional. Umas vezes tenho trabalho, outras não tenho.” Explica JP Simões ao POSTAL DO ALGARVE. “Tenho três ou quatro outros ofícios. Faço uma série de coisas, de improviso essencialmente. Música para filmes, argumentos… Agora estou a trabalhar na Rádio Europa em Lisboa. Sei lá, eu sou um trabalhador liberal que faz música. É só isso!” A sua música tem sabor a samba misturado com as realidades lusas. Fortemente marcado por Chico Buarque de Hollanda, refere personalidades como Tom Jobim, Charlie Parker, David Bowie, Tom Waits, Astor Piazzolla entre outros. A música, de uma maneira mais ou menos efectiva foi-o rondando ao longo da vida. Em criança teve aulas de guitarra. Em adolescente, em Coimbra, tinha uns amigos, “músicos de garagem” que o convidaram para cantar ou tocar guitarra numa banda que se chamava os “Proletários da Cidade” mas fazer “música propriamente dita, tocada para os outros, com agrupamentos e essas coisas todas, faço há quinze anos, para aí” sobretudo com os Pop dell’Arte, Belle Chase Hotel e Quinteto Tati.
Escreveu contos, letras de canções, argumentos para cinema e participou como músico e actor em filmes de Fernando Vendrell, Edgar Pêra e outros. Entretanto assinou algumas bandas sonoras para documentários e no teatro escreveu o libreto da “Ópera do Falhado”, partilhando a invenção musical com o compositor Sérgio Costa. Como jornalista foi colaborador da Capital, trabalhou em algumas revistas, escreveu para a Egoísta e para revistas de arquitectura. A formação de jornalista deu-lhe noções para perceber melhor a realidade informativa. Tenta ser claro e preciso naquilo que escreve mas acha que não escreve como um jornalista. Em 2006, preparou um espectáculo intitulado de "Canções do jovem cão" e anunciou o lançamento da sua carreira a solo, através de um disco em nome individual, com o título de "1970" e que foi editado no início de 2007. E… “Por favor não me falem do futuro, acabei de chegar!”
Paulo Serra artista essencialmente autodidacta que trabalha exaustivamente, bem conhecido da nossa praça e em muitos outros lugares, apresentou nesses dois dias os seus últimos trabalhos de desenho profundamente marcados pela força do vermelho com o título “O Maricas”. O artista afirma que “Os quadros são surdos-mudos. Quem está presente é a força e a energia.”
O CAPA não se fica por aqui, já nos promete novas emoções com as “Finka-Pé” um grupo de 20 mulheres Cabo-verdianas que misturam a música e a dança em gestos de improviso o que torna cada espectáculo num momento verdadeiramente único. Vai acontecer no dia 19 de Maio.

Texto e foto de Paula Ferro

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